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GestãoPor Guilherme, fundador do ReparoPRO 10 de outubro de 2026 6 min de leitura

Como precificar conserto de celular quando o preço não dá para fechar na hora

Balança equilibrada ao lado do símbolo do ReparoPRO, em vidro azul

Na dúvida sobre como precificar conserto de celular, some a hora técnica, a peça com uma margem própria e o risco do serviço. O tipo de preço muda com a incerteza: bateria e conector costumam ter preço fechado, mas placa e aparelho molhado pedem diagnóstico antes, e aí o orçamento sai em duas etapas.

A conta da hora e da peça é parecida para todo serviço. O que muda de um conserto para outro é quanto você sabe do defeito no momento em que o cliente pergunta o preço.

A hora técnica: o número que entra em todo preço

A hora técnica é quanto a loja precisa receber por hora de bancada para pagar as contas e o seu trabalho. Some o que a loja gasta no mês (aluguel, luz, internet, ferramentas, contador e o seu salário) e divida pelas horas que você passa de fato consertando, não pelas horas que a loja fica aberta.

Exemplo: uma loja com R$ 6.000 de custo no mês e 120 horas de bancada tem hora técnica de R$ 50. Um serviço de meia hora custa R$ 25 só de mão de obra, antes de peça e margem.

A diferença entre horas abertas e horas de bancada é onde a conta costuma errar. Atendimento, orçamento, compra de peça e espera de cliente tomam o dia, e nenhuma dessas horas aparece no conserto.

Separe a margem da peça da margem do serviço

Peça e mão de obra pagam coisas diferentes, e misturar as duas esconde o problema quando o mês não fecha. A peça paga o que custou, o frete e a perda (a que chega com defeito, a que quebra na instalação). A mão de obra paga a hora técnica e o risco.

O conector é o caso que mostra isso: a peça custa pouco, e quase todo o preço é o tempo de desmontar, soldar e testar. Com margem só em porcentagem sobre a peça, o serviço sairia quase de graça.

Na OS e no orçamento, deixe peça e mão de obra em linhas separadas. O CDC pede que o orçamento discrimine "o valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados" (art. 40), e no fim do mês dá para ver se o problema foi a hora ou a peça.

Três tipos de preço, conforme o que você sabe do defeito

TipoQuando usarExemplos de serviço
Preço fechadoO defeito é visível ou testável na hora e o tempo é previsívelTroca de bateria, de tela, de conector com teste confirmado
Faixa de preçoO serviço é conhecido, mas o tempo varia com o modelo ou com o estado do aparelhoConector em aparelho com oxidação leve, troca de câmera
Diagnóstico primeiroO defeito não está confirmado ou pode estar em mais de um lugarAparelho que não liga, placa, aparelho molhado

Exemplo: aparelho que não liga entra na sexta. O defeito pode ser o conector, a bateria ou a placa, e cada um tem um preço diferente. Dar um preço fechado no balcão é apostar.

Se for placa, ou a loja perde, ou o cliente recebe uma ligação pedindo mais dinheiro.

Na faixa de preço, escreva no orçamento o valor mínimo, o máximo e do que depende ("entre R$ 120 e R$ 180, conforme a oxidação encontrada na abertura"). O cliente aprova a faixa, e a loja não precisa voltar a negociar se ficar dentro dela.

Orçamento em duas etapas para placa e aparelho molhado

Quando o defeito não está confirmado, o orçamento sai em duas etapas, e o cliente aprova cada uma. Na primeira, ele aprova o diagnóstico (com ou sem valor). Na segunda, depois de você abrir e testar, ele aprova o conserto com o preço já fechado.

  1. Na entrada, registre na OS o defeito que o cliente relata e o que você testou com ele olhando.
  2. Diga o valor do diagnóstico, se cobrar, e o prazo para dar o preço do conserto.
  3. Depois de abrir, mande o orçamento do conserto com peça e mão de obra separadas e a validade.
  4. Só comece o conserto depois da segunda aprovação: serviço sem orçamento e autorização do cliente é prática abusiva (CDC, art. 39, VI).

Aparelho molhado tem um passo a mais: o risco de outra parte parar depois do conserto. Para isso existe o termo de autorização de reparo com risco, em que o cliente autoriza o procedimento sabendo que ele pode não dar certo.

Modelos de termo, inclusive o de reparo com riscoGarantia simples, troca de tela, bateria, conector, aparelho oxidado e autorização de reparo com risco, em PDF.

Serviço de terceiro precisa estar no orçamento

Se a placa vai para um técnico de micro soldagem de fora, o custo dele precisa aparecer no orçamento que o cliente aprova. O CDC é direto sobre isso:

O consumidor não responde por quaisquer ônus ou acréscimos decorrentes da contratação de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio.

— CDC, art. 40, § 3º

Exemplo: a placa vai para o técnico de micro soldagem, e o custo dele não estava no orçamento aprovado. Esse valor fica com a loja. Por isso, quando há chance de terceirizar, a etapa de diagnóstico serve também para consultar o terceiro e trazer o preço dele para o orçamento do conserto.

O valor mínimo por atendimento

Todo aparelho que entra custa tempo antes de qualquer conserto: cadastrar o cliente, testar na entrada, fotografar, orçar, avisar quando está pronto e entregar. Em serviço rápido, como trocar uma película ou atualizar o sistema, esse tempo pode ser maior que o do próprio serviço.

Um valor mínimo por atendimento cobre isso. Escreva-o na tabela de preços e no orçamento, para o cliente saber antes.

Para a tabela não envelhecer, revise os preços quando o custo das peças que você mais usa mudar, e não só uma vez por ano. Com preço errado por meses, cada conserto do tipo errado tira um pouco da margem.

No ReparoPRO, o orçamento sai em PDF ou pelo WhatsApp, com peça, mão de obra, prazo e validade, e a OS guarda o que foi testado na entrada e as datas de cada etapa. O plano gratuito inclui até 5 orçamentos e 10 OS por mês; com uma planilha também dá, desde que cada orçamento fique registrado.

Mande o próximo orçamento com peça e mão de obra separadas

No plano gratuito você faz até 5 orçamentos e 10 OS por mês, com PDF e envio pelo WhatsApp. Sem prazo para acabar.

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Perguntas frequentes

Devo cobrar o diagnóstico?

Pode, principalmente em placa, onde o diagnóstico toma horas. Diga o valor antes de o cliente deixar o aparelho e registre na OS que ele concordou. Descontar o diagnóstico do total quando o conserto é aprovado ajuda o cliente a aprovar.

Margem em porcentagem ou valor fixo na peça?

Porcentagem funciona para peça de preço médio; em peça muito barata, como um conector, ela dá quase nada, e em peça cara, como tela de topo de linha, assusta o cliente. Uma saída é usar um valor mínimo e um teto de margem na peça, e deixar a mão de obra pagar o resto.

Como precificar um serviço que eu nunca fiz?

Estime o tempo pelo serviço mais parecido que você já fez e some uma folga de risco, porque a primeira vez demora mais. Se não dá para estimar, é caso de diagnóstico primeiro.

Posso mudar o preço depois que o cliente aprovou?

Só se ele concordar. O orçamento aprovado obriga as duas partes e só muda por negociação (CDC, art. 40, § 2º). Por isso a incerteza tem que aparecer no orçamento, e não depois.

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