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GestãoPor Guilherme, fundador do ReparoPRO 10 de outubro de 2026 6 min de leitura

Parcelado lojista ou parcelado emissor: qual usar no conserto e na venda de celular

Calendário e pilhas de moedas crescentes ao lado do símbolo do ReparoPRO, em vidro azul

No parcelado emissor, o cliente da assistência ou da loja de celular paga os juros ao banco dele, e a loja recebe o valor inteiro em 30 dias. No parcelado lojista é o contrário: o cliente paga sem juros, e a loja recebe as parcelas mês a mês, com a taxa do parcelado descontada.

A escolha muda quanto a loja recebe, quando recebe e quanto o cliente paga no fim. Num conserto de R$ 900 em 10x, a diferença para o cliente passa de R$ 500.

Como funciona o parcelado lojista

No parcelado lojista, a loja oferece o "sem juros" e banca o custo. O cliente paga dez parcelas iguais, sem acréscimo do banco, e a maquininha repassa cada parcela à loja um mês depois da outra, já com o MDR do parcelado descontado.

Exemplo: a troca de tela de R$ 600 passa em 6x sem juros. O cliente vê R$ 100 por mês na fatura, e a loja recebe seis depósitos menores, o primeiro um mês depois e o último no sexto mês.

Esse MDR é maior que o do crédito à vista. Nos dados do Banco Central do 4º trimestre de 2025, a média foi de 1,98% à vista e 2,39% em sete parcelas ou mais (dados abertos do BC). Quem quer o dinheiro todo de uma vez pede a antecipação, e aí a taxa efetiva sobe bem acima dessa média; a conta está no artigo sobre a taxa MDR.

Como funciona o parcelado emissor

No parcelado emissor, quem parcela é o banco do cliente. A Central de Ajuda da Stone resume a regra do jeito que vale na maior parte das maquininhas: "O portador do cartão é quem paga os juros do parcelamento", e a loja paga a taxa do crédito à vista e recebe o valor integral em trinta dias (Stone, parcelado com juros/emissor).

Os juros do banco são altos. O juro médio das novas operações de cartão de crédito parcelado para pessoa física foi de 192,08% ao ano em agosto de 2026, cerca de 9,3% ao mês (Banco Central, série 22023).

192% ao ano

juro médio do cartão de crédito parcelado para pessoa física em agosto de 2026

Fonte: Banco Central, série SGS 22023

O limite de parcelas no emissor depende da maquininha; na Stone, é o mesmo do crédito parcelado, até 12x. Confira no contrato da sua.

A conta de um conserto de R$ 900 em 10x

Exemplo: a troca de placa de R$ 900 foi aprovada e o cliente pede para parcelar em 10x na retirada. Com as médias oficiais, os três caminhos ficam assim:

conserto de R$ 900 em 10x, com médias oficiais
JeitoCliente pagaLoja recebeQuando a loja recebe
Lojista, sem antecipação (MDR de 2,39%)10x de R$ 90 = R$ 900R$ 878,49R$ 87,85 por mês, durante 10 meses
Lojista, antecipado (taxa efetiva de exemplo: 12%)10x de R$ 90 = R$ 900R$ 792,00de uma vez
Emissor (MDR à vista de 1,98%; juro de 9,34% ao mês)10x de R$ 142,34 = R$ 1.423,44R$ 882,18em 30 dias

As taxas da sua maquininha e o juro do banco de cada cliente são diferentes da média. O que a tabela mostra vale para qualquer contrato: no emissor a loja recebe mais e mais cedo, e o cliente paga a diferença em juros.

Qual usar na assistência técnica

O parcelado emissor serve para o conserto caro que o cliente quer esticar e que a loja não quer financiar. O parcelado lojista serve para o valor que fecha melhor com "10x sem juros", desde que a taxa já esteja no preço.

O critério prático é o tamanho do conserto e o caixa da loja:

  1. Conserto de valor baixo, como bateria, conector ou película: crédito à vista ou poucas parcelas no lojista. A taxa a mais é pequena e o "sem juros" ajuda a fechar.
  2. Conserto alto, como placa ou tela de aparelho caro, quando o cliente pede muitas parcelas: emissor, se a loja não pode esperar dez meses nem pagar a antecipação.
  3. Venda de aparelho no balcão: a mesma régua, com mais cuidado no valor alto, porque é onde a antecipação custa mais caro em reais. Exemplo: num iPhone seminovo importado de R$ 3.200 em 12x, a loja recebe cerca de R$ 3.136 em 30 dias no emissor (MDR médio à vista) e R$ 2.816 no lojista com recebimento na hora e taxa efetiva de exemplo de 12%: R$ 320 de diferença numa venda só.

O cliente precisa saber dos juros antes

Antes de passar no emissor, diga ao cliente que os juros são do banco dele e que só vão aparecer na fatura. A loja não sabe qual será a taxa: cada banco cobra a sua, e a maquininha não recebe esse número.

Exemplo: um mês depois, o cliente volta reclamando que a fatura veio com R$ 142 por mês e não R$ 90. Se ninguém falou de juros no balcão, a briga é com a loja, mesmo o dinheiro dos juros indo para o banco.

Uma frase no orçamento resolve: "Parcelamento com juros do seu banco: o valor de cada parcela aparece na fatura do cartão". Escreva ao lado do valor no Pix e no cartão.

Orçamento com as formas de pagamentoEscreva no campo de pagamento o valor à vista, o valor em 10x sem juros e o aviso do parcelado com juros do banco.

Como registrar o parcelado no ReparoPRO

No ReparoPRO, a partir do plano Pro, você cadastra a taxa do crédito de 1 a 12 parcelas em Minha Assistência › Metas & Taxas, e ao receber a OS escolhe a forma e o número de parcelas. O app lança a taxa daquela forma como despesa, e o Financeiro mostra o lucro já descontado.

Para o parcelado emissor, registre o recebimento como crédito à vista, porque é a taxa que a loja paga nele. Os juros do cliente ficam entre ele e o banco e não entram nas contas da loja.

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Perguntas frequentes

Parcelado comprador é o mesmo que parcelado emissor?

É. As maquininhas usam nomes diferentes para a mesma coisa: parcelado emissor, parcelado com juros, parcelado comprador ou parcelado banco. Em todos, quem paga os juros é o cliente, ao banco que emitiu o cartão.

A loja sabe quanto de juros o cliente vai pagar no parcelado emissor?

Não. Cada banco cobra a sua taxa, e a maquininha não recebe esse número. A Central de Ajuda da Stone diz isso com todas as letras. Por isso não prometa valor de parcela ao cliente no emissor.

No parcelado lojista eu posso receber tudo de uma vez?

Pode, pedindo a antecipação, que tem custo próprio. Sem ela, cada parcela cai um mês depois da outra. Compare a taxa efetiva com antecipação antes de anunciar "sem juros".

Posso cobrar a taxa do parcelado lojista do cliente?

Pode, se ele souber o valor no cartão antes de pagar (Lei 13.455/2017). Mas aí a parcela deixou de ser sem juros, e anunciar "sem juros" vira propaganda enganosa (CDC, art. 37).

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