No parcelado emissor, o cliente da assistência ou da loja de celular paga os juros ao banco dele, e a loja recebe o valor inteiro em 30 dias. No parcelado lojista é o contrário: o cliente paga sem juros, e a loja recebe as parcelas mês a mês, com a taxa do parcelado descontada.
A escolha muda quanto a loja recebe, quando recebe e quanto o cliente paga no fim. Num conserto de R$ 900 em 10x, a diferença para o cliente passa de R$ 500.
Como funciona o parcelado lojista
No parcelado lojista, a loja oferece o "sem juros" e banca o custo. O cliente paga dez parcelas iguais, sem acréscimo do banco, e a maquininha repassa cada parcela à loja um mês depois da outra, já com o MDR do parcelado descontado.
Exemplo: a troca de tela de R$ 600 passa em 6x sem juros. O cliente vê R$ 100 por mês na fatura, e a loja recebe seis depósitos menores, o primeiro um mês depois e o último no sexto mês.
Esse MDR é maior que o do crédito à vista. Nos dados do Banco Central do 4º trimestre de 2025, a média foi de 1,98% à vista e 2,39% em sete parcelas ou mais (dados abertos do BC). Quem quer o dinheiro todo de uma vez pede a antecipação, e aí a taxa efetiva sobe bem acima dessa média; a conta está no artigo sobre a taxa MDR.
Como funciona o parcelado emissor
No parcelado emissor, quem parcela é o banco do cliente. A Central de Ajuda da Stone resume a regra do jeito que vale na maior parte das maquininhas: "O portador do cartão é quem paga os juros do parcelamento", e a loja paga a taxa do crédito à vista e recebe o valor integral em trinta dias (Stone, parcelado com juros/emissor).
Os juros do banco são altos. O juro médio das novas operações de cartão de crédito parcelado para pessoa física foi de 192,08% ao ano em agosto de 2026, cerca de 9,3% ao mês (Banco Central, série 22023).
192% ao ano
juro médio do cartão de crédito parcelado para pessoa física em agosto de 2026
Fonte: Banco Central, série SGS 22023
O limite de parcelas no emissor depende da maquininha; na Stone, é o mesmo do crédito parcelado, até 12x. Confira no contrato da sua.
A conta de um conserto de R$ 900 em 10x
Exemplo: a troca de placa de R$ 900 foi aprovada e o cliente pede para parcelar em 10x na retirada. Com as médias oficiais, os três caminhos ficam assim:
| Jeito | Cliente paga | Loja recebe | Quando a loja recebe |
|---|---|---|---|
| Lojista, sem antecipação (MDR de 2,39%) | 10x de R$ 90 = R$ 900 | R$ 878,49 | R$ 87,85 por mês, durante 10 meses |
| Lojista, antecipado (taxa efetiva de exemplo: 12%) | 10x de R$ 90 = R$ 900 | R$ 792,00 | de uma vez |
| Emissor (MDR à vista de 1,98%; juro de 9,34% ao mês) | 10x de R$ 142,34 = R$ 1.423,44 | R$ 882,18 | em 30 dias |
As taxas da sua maquininha e o juro do banco de cada cliente são diferentes da média. O que a tabela mostra vale para qualquer contrato: no emissor a loja recebe mais e mais cedo, e o cliente paga a diferença em juros.
Qual usar na assistência técnica
O parcelado emissor serve para o conserto caro que o cliente quer esticar e que a loja não quer financiar. O parcelado lojista serve para o valor que fecha melhor com "10x sem juros", desde que a taxa já esteja no preço.
O critério prático é o tamanho do conserto e o caixa da loja:
- Conserto de valor baixo, como bateria, conector ou película: crédito à vista ou poucas parcelas no lojista. A taxa a mais é pequena e o "sem juros" ajuda a fechar.
- Conserto alto, como placa ou tela de aparelho caro, quando o cliente pede muitas parcelas: emissor, se a loja não pode esperar dez meses nem pagar a antecipação.
- Venda de aparelho no balcão: a mesma régua, com mais cuidado no valor alto, porque é onde a antecipação custa mais caro em reais. Exemplo: num iPhone seminovo importado de R$ 3.200 em 12x, a loja recebe cerca de R$ 3.136 em 30 dias no emissor (MDR médio à vista) e R$ 2.816 no lojista com recebimento na hora e taxa efetiva de exemplo de 12%: R$ 320 de diferença numa venda só.
O cliente precisa saber dos juros antes
Antes de passar no emissor, diga ao cliente que os juros são do banco dele e que só vão aparecer na fatura. A loja não sabe qual será a taxa: cada banco cobra a sua, e a maquininha não recebe esse número.
Exemplo: um mês depois, o cliente volta reclamando que a fatura veio com R$ 142 por mês e não R$ 90. Se ninguém falou de juros no balcão, a briga é com a loja, mesmo o dinheiro dos juros indo para o banco.
Uma frase no orçamento resolve: "Parcelamento com juros do seu banco: o valor de cada parcela aparece na fatura do cartão". Escreva ao lado do valor no Pix e no cartão.
Orçamento com as formas de pagamentoEscreva no campo de pagamento o valor à vista, o valor em 10x sem juros e o aviso do parcelado com juros do banco.Como registrar o parcelado no ReparoPRO
No ReparoPRO, a partir do plano Pro, você cadastra a taxa do crédito de 1 a 12 parcelas em Minha Assistência › Metas & Taxas, e ao receber a OS escolhe a forma e o número de parcelas. O app lança a taxa daquela forma como despesa, e o Financeiro mostra o lucro já descontado.
Para o parcelado emissor, registre o recebimento como crédito à vista, porque é a taxa que a loja paga nele. Os juros do cliente ficam entre ele e o banco e não entram nas contas da loja.
Organize os recebimentos da assistência
Cadastre a taxa de cada parcela e veja quanto sobra de cada conserto depois da maquininha.
Criar conta grátis

