Na assistência técnica e na loja de celular, a taxa MDR é o que a maquininha desconta de cada conserto, aparelho ou acessório vendido no cartão. A sigla vem do inglês merchant discount rate, taxa de desconto do lojista, e é o número que aparece no seu contrato como "taxa de débito" ou "taxa de crédito em 10x".
No fim de 2025, a média no Brasil foi de 2,15% no crédito e 1,08% no débito, pelos dados do Banco Central. Se a sua maquininha cobra 10% ou mais no parcelado, a diferença tem nome: antecipação.
O que entra na taxa MDR
O MDR junta três pedaços: a tarifa de intercâmbio, que vai para o banco que emitiu o cartão do cliente; a tarifa da bandeira; e a margem da adquirente, a empresa da maquininha. A loja não vê os três separados, só o total descontado.
O intercâmbio é o único pedaço com teto do Banco Central. A Resolução BCB 246/2022 limita essa tarifa a 0,5% no débito e 0,7% no pré-pago. No crédito não há limite, e por isso a taxa do crédito é sempre maior que a do débito.
Quanto é o MDR médio no Brasil
O Banco Central publica a taxa média de desconto por tipo de cartão e número de parcelas no portal de dados abertos. No 4º trimestre de 2025, o último completo em outubro de 2026, os números foram estes:
| Venda | MDR médio |
|---|---|
| Débito | 1,08% |
| Pré-pago | 1,22% |
| Crédito à vista | 1,98% |
| Crédito em 2 ou 3 parcelas | 2,28% |
| Crédito em 4 a 6 parcelas | 2,33% |
| Crédito em 7 ou mais parcelas | 2,39% |
| Crédito, todas as parcelas | 2,15% |
2,15%
MDR médio do crédito no Brasil no 4º trimestre de 2025, ponderado pelo valor das vendas
Fonte: Banco Central, dados abertos, Estatísticas de Meios de Pagamentos (taxas de desconto)
A média é ponderada pelo valor das vendas. Rede de supermercado e loja de departamento, que vendem bilhões no cartão e negociam taxa, pesam muito mais que uma assistência técnica. A tabela mostra o piso do mercado; ela não diz quanto uma loja pequena paga.
Por que a taxa da sua maquininha é maior que a média
Quase sempre porque a taxa anunciada já inclui a antecipação. Sem antecipação, a venda no crédito cai em 30 dias, e no parcelado cada parcela cai um mês depois da outra. Receber tudo na hora ou no dia seguinte é a adquirente adiantando esse dinheiro, e ela cobra por isso.
A Resolução CMN 4.734/2019 define antecipação como receber "em prazo inferior ao máximo determinado pelo arranjo de pagamento" e separa dois tipos. Na pré-contratada, o contrato já diz que toda venda cai antes; é o plano "receba na hora". Na pós-contratada, você pede para adiantar vendas que já fez.
Exemplo: um conserto de R$ 480 passa em 10x numa maquininha que paga na hora e o extrato mostra R$ 422,40. Foram R$ 57,60 a menos, 12% da venda. Pela tabela do Banco Central, o MDR médio de um parcelado longo gira em torno de 2,4%. Parte do resto pode ser um MDR acima da média, comum em loja pequena; a maior parte é o preço de ter os R$ 422,40 hoje em vez de dez parcelas ao longo de dez meses.
Como descobrir a taxa que você paga de verdade
A taxa efetiva é o que a maquininha descontou dividido pelo valor da venda. É o único número que vale para comparar maquininhas, porque já inclui MDR, antecipação e qualquer tarifa que o contrato esconda em letra miúda.
- Abra o extrato da maquininha e escolha uma venda de cada tipo: débito, crédito à vista, crédito em 3x e crédito em 10x.
- Para cada uma, faça (valor da venda − valor recebido) ÷ valor da venda.
- Anote o resultado como porcentagem: (480 − 422,40) ÷ 480 = 0,12, ou seja, 12%.
- Compare com a taxa que o vendedor da maquininha prometeu. Se não bater, pergunte o que entrou na diferença.
Exemplo: uma troca de bateria de R$ 180 passa no débito e o extrato mostra R$ 177,30. A conta dá (180 − 177,30) ÷ 180 = 1,5%, perto da média do débito. Se a mesma loja vê 12% num conserto em 10x, o problema está no prazo, não na bandeira.
Faça a conta com vendas recentes e do mesmo plano de recebimento. Trocar de "receber na hora" para "receber em 30 dias" muda a taxa efetiva do crédito sem mudar o MDR.
Como pagar menos taxa na assistência
O que mais pesa na conta é o prazo de recebimento e a forma de pagamento do cliente, não a bandeira.
O prazo é a primeira decisão. Se o caixa aguenta esperar o dinheiro da peça e da mão de obra, receber em 30 dias tira a antecipação da conta. Compare a taxa efetiva dos dois prazos numa venda igual antes de trocar de plano.
A forma de pagamento é a segunda. Débito e Pix custam menos que crédito parcelado, e a loja pode dar desconto no Pix ou cobrar a taxa no cartão, desde que o cliente saiba antes; as regras estão no artigo pode cobrar a taxa da maquininha do cliente?.
Exemplo: o cliente que ia passar a troca de tela em 10x aceita pagar no Pix quando o orçamento mostra os dois valores lado a lado. A loja deixa de pagar os 12% daquela venda. Num iPhone seminovo de R$ 2.500 vendido em 12x com recebimento na hora, os mesmos 12% são R$ 300.
A negociação vem por último, porque adquirente negocia com quem mostra volume. Leve o total vendido no cartão nos últimos meses, separado por débito, crédito à vista e parcelado.
Como acompanhar a taxa no ReparoPRO
No ReparoPRO, a partir do plano Pro, você cadastra a taxa de cada forma de pagamento em Minha Assistência › Metas & Taxas: Pix, débito e crédito de 1 a 12 parcelas. Quando você recebe uma OS no cartão sem repassar a taxa ao cliente, o app lança essa taxa como despesa, e o Financeiro mostra o lucro do mês já descontado.
O limite: o app usa a taxa que você cadastrou. Se a maquininha mudou de preço e o cadastro ficou velho, o lucro na tela fica errado na mesma medida. Refaça a conta da taxa efetiva a cada mudança de plano e atualize o cadastro.
Orçamento com o valor de cada forma de pagamentoColoque no orçamento o valor no Pix e o valor no cartão, já com a taxa que você calculou.Cadastre suas taxas no ReparoPRO
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