Como saber se o celular é roubado? Consulte o IMEI na base de aparelhos impedidos indicada pela Anatel e confira se ele é o mesmo da caixa e da nota fiscal.
Na loja de seminovos e na assistência técnica, isso é só o começo: a lei cobra mais de quem compra para revender, e o que protege a loja é o registro de quem vendeu.
Em 2026, o furto de celular ganhou pena própria no Código Penal, e a pena da receptação aumentou.
Como consultar o IMEI do celular
O IMEI é o número que identifica o aparelho na rede das operadoras. É ele que a vítima bloqueia quando o celular é roubado, furtado ou perdido.
- Digite
*#06#no aparelho. Os celulares com dois chips mostram dois IMEIs; anote os dois. - Confira se o IMEI da tela é o mesmo da caixa, da nota fiscal e, nos modelos que têm, da bandeja do chip. Número diferente é motivo para parar a compra.
- Consulte cada IMEI na página de situação do celular da Anatel, que leva à consulta de aparelho impedido. A Anatel resume: "Pelo número do IMEI é possível saber se há algum registro de impedimento no aparelho".
- Tire um print do resultado e guarde junto com a compra.
No iPhone, há uma checagem a mais: o aparelho não pode estar ligado à conta Apple de outra pessoa. A Apple orienta a não ficar com nenhum iPhone usado até ele ser removido da conta do dono anterior. No Android, a conta Google cumpre o mesmo papel depois de uma restauração de fábrica.
O que a consulta do IMEI não mostra
A consulta só acusa o aparelho que já teve o bloqueio pedido à operadora. Um celular roubado ontem, cuja vítima ainda não registrou a ocorrência, pode aparecer limpo hoje.
Exemplo: um rapaz entra na loja oferecendo um iPhone 15 sem caixa por metade do preço, com pressa e sem documento. O IMEI sai limpo na consulta. Tudo no resto da conversa diz o contrário, e é o resto que a lei olha.
Por isso a consulta limpa nunca é a única prova. Ela vem junto com o documento de quem vende, o preço compatível com o aparelho e a conta Apple ou Google removida na sua frente.
Por que a loja corre mais risco que o consumidor
Quem compra para revender responde por receptação qualificada se "deve saber" que o aparelho é produto de crime. É o Código Penal, art. 180, § 1º, com pena de reclusão de 3 a 8 anos, e o § 2º diz que vale também para o comércio irregular, inclusive feito em casa.
O § 3º pune até quem não sabia, mas devia desconfiar: quem compra coisa que, "pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece", deve presumir que veio de crime. Um iPhone recente pela metade do preço, vendido por alguém sem documento, é exatamente esse caso.
A Lei 15.397, de 30/04/2026, aumentou a pena da receptação simples para 2 a 6 anos e criou pena de 4 a 10 anos para o furto de aparelho celular.
3 a 8 anos
pena de reclusão para o comerciante que compra ou vende celular que deve saber ser produto de crime
Fonte: Código Penal, art. 180, § 1º
O que registrar na compra do celular usado
A defesa da loja é provar que comprou de boa-fé e com cuidado. Isso se faz com papel, guardado:
| O que registrar | Por quê |
|---|---|
| Nome, CPF, endereço e telefone de quem vende, com documento com foto | Identifica o vendedor se a polícia perguntar |
| IMEI da tela, conferido com a caixa e a nota | Prova que o aparelho é o mesmo que tinha origem |
| Print da consulta de impedimento | Mostra que a loja conferiu no dia |
| Fotos do aparelho, frente, verso e tela de Ajustes | Registra o estado e a conta removida |
| Assinatura do vendedor numa declaração de procedência | Coloca a afirmação "o aparelho é meu" no nome dele |
| Valor pago e forma de pagamento | Afasta a desconfiança de preço desproporcional |
Exemplo: a polícia liga três meses depois perguntando por um Galaxy S23 comprado na loja. Com o CPF, o endereço, a assinatura e o comprovante do Pix, a loja mostra de quem comprou, quanto pagou e quando.
Pague por Pix ou transferência para uma conta no nome de quem vendeu. O comprovante liga o dinheiro à pessoa, coisa que o pagamento em espécie não faz.
Na assistência: o celular que chega para conserto
Na bancada, o alerta é o pedido estranho, não o aparelho. Quem pede para tirar a conta Apple ou Google, trocar a placa sem dizer o defeito ou "liberar" um celular bloqueado está pedindo um serviço que a loja não deve fazer.
Exemplo: o cliente deixa um Galaxy para conserto e pede só para trocar a placa, sem querer dizer o defeito. Antes de orçar, registre o IMEI na OS e consulte a situação. Se o aparelho estiver impedido, devolva sem fazer o serviço e anote na OS o motivo.
O IMEI na OS também protege a loja num caso comum: o cliente que diz, depois, que o aparelho devolvido não é o dele.
Checklist de entrada com o IMEIRegistre o IMEI, o estado e as fotos do aparelho na entrada, antes de abrir.Como o ReparoPRO registra a compra
No ReparoPRO, a partir do plano Business, a compra de aparelho de cliente tem tela própria: você registra nome, CPF, endereço e telefone de quem vende, o IMEI, ao menos uma foto do aparelho e a assinatura do vendedor na tela. Na mesma tela, o app consulta o IMEI num serviço de verificação de bloqueio e mostra o resultado antes de você pagar.
O limite: a consulta do app tem um número de verificações por dia e não substitui a consulta da Anatel. Nenhuma consulta garante a procedência sozinha; o que protege a loja é o conjunto do registro. Na OS, o IMEI fica no cadastro do aparelho desde a entrada.
Registre cada compra de aparelho no ReparoPRO
Compra com dados de quem vendeu, IMEI, fotos e assinatura, e OS com o IMEI desde a entrada.
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